Domingo, 26 de Abril de 2009

Acabou, infelizmente


Depois de seis dias intensos, o encerramento do festfotopoa 2009 não poderia ser diferente. Risadas, emoções e mais histórias para contar. O painel Encontros com fotógrafos gaúchos teve início com as cores de Eneida Serrano, que além de apresentar alguns trabalhos, falou sobre o resgate da obra de Lunara, um fotógrafo gaúcho do início do século XX. Já Ruy Varella contou um pouco da sua trajetória, revelou projetos que pretende desenvolver na Argentina e provou que o preto e branco não apaga o colorido da natureza. Ricardo Chaves foi o último da série e trouxe um recorte de seus 40 anos de carreira narrados através de fotografias e “causos”. Antes do sorteio da Nikon D90, o Coletivo Garapa exibiu um audiovisual produzido durante a oficina de jornalismo multimídia. O trabalho resumiu a experiência de todos que de alguma forma participaram do evento: caminhos que se cruzam sempre fazem crescer. Foram vivências, contatos, aprendizado. Por fim, despedidas e a certeza de que a fotografia é o caminho que pode unir todos os caminhos novamente. (Fotos: Vinícius Roratto Carvalho)

Sábado, 25 de Abril de 2009

Uma oportunidade única


Na palestra de hoje, o consagrado Marc Riboud dividiu a mesa com o fotojornalista brasileiro Evandro Teixeira. Nas projeções, grandes trabalhos de dois grandes nomes: maio de 68 e a ditadura militar no Brasil e no Chile. O movimento ocorrido na França, para Riboud, foi a invenção de uma nova vida, o que transparece nos rostos esperançosos e nas barricadas geométricas das imagens do francês. Já Evandro Teixeira, mesmo apanhando e quebrando algumas câmeras e costelas, fotografou momentos importantes do país, como a passeata dos cem mil, e foi o único fotógrafo a cobrir a morte de Pablo Neruda durante a ditadura chilena. Compreensível a insistência dos que, ao final, queriam ser fotografados ao lado dos dois. Foi um encontro para não ser esquecido, mas, sim, registrado.

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

“Cada dia que passo fotografando é mais um dia muito feliz”

(foto: Jéssica Schaefer)

A frase que Marc Riboud disse ainda no início do encontro não soou óbvia apenas por ele ser um dos grandes nomes da fotografia do século XX. Ao longo das cerca de duas horas em que o fotógrafo esteve com o público do festfotopoa, não faltou bom humor – e até gargalhadas - para ilustrar os seus 86 anos de vida. E que vida! O francês falou sobre as suas aventuras pelo mundo, iniciadas pela decisão repentina de viajar de carro para Calcutá, e sobre o amigo Henri Cartier-Bresson, que segundo ele era como um pai, com quem aprendeu “alguma” coisa. Entre as fotografias que mostrou, algumas recentes, como as tiradas no dia da eleição de Barack Obama, e as antigas e mais famosas de sua carreira. Para quem perguntou quais devem ser as qualidades de um fotógrafo, Riboud respondeu que não acredita no talento, mas, sim, no trabalho, na curiosidade, paciência e cultura. Difícil vai ser seguir o seu maior conselho ao final da palestra e esquecer tudo o que ele disse. Seria como esquecer quem é o espirituoso fotógrafo francês.
(foto: Vinícius Roratto Carvalho)

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Veja Marc Riboud ao vivo no FestFotoPoa 2009

Mudou o site onde acontece a transmissão comandada pelo pessoal do Coletivo Garapa. Veja abaixo:

O fotojornalismo dos coletivos multimídia

Os debates do seminário Fisiologia da Fotografia de Informação contaram com a presença do Garapa, que abordou o caráter coletivo e independente das suas produções. Foram apresentados trabalhos do grupo realizados em 2008, como o “Desde Cuba” e as parcerias com a Folha de São Paulo na cobertura das eleições, da queda da Bolsa e da invasão do MTST a um supermercado paulista. (Foto: Vinícius Roratto Carvalho)

O olhar pessoal no fotojornalismo diário

Continuando o seminário Fisiologia da Fotografia de Informação, o fotojornalismo autoral foi o tema que abriu a tarde de debates desta quinta-feira. Os fotógrafos João Wainer e Custódio Coimbra falaram sobre a experiência da fotografia com marca pessoal inserida no jornalismo diário. Wainer destacou as possibilidades que as novas tecnologias trazem para a exibição do trabalho fotográfico, e que ainda não são bem aproveitadas pelos veículos de comunicação. A internet, segundo ele, torna-se uma alternativa para os fotógrafos mostrarem o seu olhar particular sobre os acontecimentos, que nem sempre ganha espaço no cotidiano de um jornal.

Custódio Coimbra apresentou as fotos que realizou sobre a temática Solo, e observou que a popularização da fotografia não desvaloriza o trabalho do fotógrafo profissional. Para ele, o olhar autoral ganha mais destaque neste contexto. (Fotos: Vinícius Roratto Carvalho)

“Uma salva de palmas para o Luís Humberto”

Foi com essa frase que Carlos Carvalho encerrou o encontro sobre o autor homenageado desta edição do FestFotoPoa. Infelizmente, o fotógrafo não pode estar presente, mas a homenagem foi devidamente feita. Além das calorosas palmas do público, os componentes da mesa, Leopoldo Plentz e Rubens Fernandes Jr fizeram questão de ressaltar a importância de Luís Humberto e de seus 40 anos de fotografia. Rubens afirmou que o homenageado levou “vida inteligente” ao jornalismo durante ditadura ao realizar em Brasília uma fotografia “altamente estética e politizada”. Já Leopoldo lembrou que o fotógrafo fez parte da equipe fundadora da UNB e foi o primeiro a ter título de doutor em fotografia no Brasil. Luiz Carlos Felizardo também participou e destacou o característico bom humor do amigo ao contar momentos que vivenciou com ele. O público pode conferir, além da projeção com fotos de toda a carreira de Luiz Humberto, um vídeo com depoimentos do homenageado.